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O feitiço físico do canto gregoriano

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O feitiço físico do canto gregoriano

Adolphe, Julia

Descobertas (2008)

Introdução: A pomba pousou no ombro de São Gregório e cantou segredos em seu ouvido. Era como se as reverberações suaves, soando dentro de uma catedral na pausa do cantor, evocassem o sussurro do Espírito Santo. Nesse sentido, o canto gregoriano comunica claramente uma meditação religiosa. Mesmo no século VIII, quando o canto gregoriano surgiu pela primeira vez, os cristãos ouviam a música como proveniente de uma tradição autêntica. Perfura o corpo com sua simplicidade assustadora, parecendo totalmente natural. A curva da linha vocal paira suavemente sobre um centro tonal e o movimento suave da cadência parece mais um suspiro do que uma conclusão enfática característica da harmonia diatônica ocidental. Nesse sentido, a pomba à deriva é uma metáfora perfeita para o canto gregoriano: é puro, fluido e espiritualmente comovente. Do século VIII ao Renascimento, o canto gregoriano foi ouvido como o eco da perfeição e ordem de Deus persistente no mundo corporal. O canto surgiu não apenas como uma representação da divindade, mas como uma encarnação real da divindade. Enraizado nas concepções pitagóricas de harmonia e equilíbrio, o canto gregoriano cresceu a partir de uma consciência intuitiva de como o ouvido interpreta o som. A música foi considerada capaz de salvação por seu próprio efeito físico no ouvinte. Desta forma, o canto gregoriano é uma bela homenagem à natureza lógica e poderosa da física e da música.

O canto gregoriano segue estritamente as teorias pitagóricas das relações intervalares. Os antigos gregos dividiam seus escritos sobre música em duas categorias principais. O primeiro compreendia análise sistemática e regras de composição musical, enquanto o segundo abordava a natureza filosófica da música, seu efeito no comportamento, sua função na sociedade e seu lugar no cosmos. Pitágoras, que viveu no século VI aC, descobriu que uma corda dividida em segmentos de proporções de pequenos números emitia tons harmoniosos quando puxada. Isso se encaixava em sua crença de que a beleza do universo derivava de proporções simples. Descobriu-se que uma oitava tem uma proporção de 2: 1, uma quinta perfeita possui uma proporção de 3: 2 e uma quarta justa contém uma proporção de 4: 3. A música era considerada a personificação do conceito de harmonia: um universo puro e estruturado onde as partes eram sintetizadas em um todo ordenado.


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